Nomada digital em Lisboa

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Isto de ser nomada digital em Lisboa, segundo o Velho do Restelo

Antes de começar a aventura como nómada digital no Japão, passei dois meses como nomada digital em Lisboa – quase em casa. A verdade é que vivi por duas vezes em Lisboa, há muitos, muitos anos atrás. No tempo em que:

  • O metro de Lisboa funcionava
  • Andar nos autocarros em Lisboa não se parecia a andar numa lata de sardinha em lata
  • Não me cobravam 4,50€ por um moscatel
  • Viver no Campo de Ourique era longe para xuxu
  • Viver em Arroios era “perigoso”
  • Havia pastelarias em Lisboa e não padarias portuguesas

Lisboa mudou muito. É claramente uma capital europeia, agora ainda mais cheia de gente e mais cara.
Aliás, desculpem, Lisboa é claramente uma capital europeia, agora ainda mais cheia de gente e onde os salários portugueses continuam baixos, muito baixos.
Obviamente que a gentrificação é f***da e infelizmente é um cenário que se alarga a todas as capitais europeias, com poucas ou nenhumas políticas para travá-la, mas o maior problema de Lisboa e de Portugal continuam a ser os mas, os péssimos, os miseráveis salários nacionais. Como as pessoas chegam ao fim do mês, eu não entendo.
Aliás, entendo, depois dos 30 vive-se ainda com amigos, uma viagem fora da Europa é um luxo e conta-se muito com a ajuda familiar.

Nestes dois meses de nomada digital em Lisboa, deu-me a sensação que em Lisboa se trabalha para caracinhas. Não há cá cafés, nem encontros antes das 20h00, porque “estou no trabalho”. É comum às nove e às dez da noite ver luzes acendidas nos escritórios e gente a sair com o computador às costas. Que se passa, pessoas?

Também encontrei uma Lisboa mais antipática. Empregados que reviram os olhos a quem pede um copo de água e donos de cafés que não nos deixam ir fazer um xixi, sem consumirmos algp. Oi? Também vi homens da idade do meu pai a vender droga. Aliás, que assédio é aqueles senhores? Deslarguem-nos! Isso, e por favor, falem-me em Português – e limpem as ruas – Lisboa está muito suja.

 

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Pelo Rossio, em Alfama nos Santos e no miradouro

Lisboa continua a ser das-mai-lindas. Aquele sol cheio, um rio com sonhos do mar e café decente. Continua a ser a cidades das esplanadas ao sol e das cuecas no estendal. A cidade onde é possível falar com os velhotes sobre o estado do tempo, o reumatismo ou os sacanas dos políticos. Tudo isso, enquanto se come pastéis de nata da Manteigaria, que não me importam o que se diga, são os melhores de sempre!
Lisboa tem as festas do Santo Antonio e o “aperta-aperta com ela”. Tem a Madragoa, Alfama e a Bica, que é sempre a maior e a melhor. Caramba, tenho saudades!

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